12/06/2011

Capítulo 3: A Quadra

Na quarta aula, Vitor deveria estudar Matemática. Mas sentiu-se indisposto. E ainda estava encabulado com o arrepio estranho que sentiu ao tocar Jesse. Que sensação era essa? E por quê sentiu isso? Apesar de seu gênio forte, Vitor era uma pessoa totalmente racional, e estava disposto a pensar naquilo com calma.
O sinal indicando o final do intervalo tocou, mas Vitor se retirou para a quadra de esportes da escola, que estava vazia. Queria aproveitar os cinquenta minutos de tempo para tentar pensar nessa sensação curiosa, que nunca havia sentido na vida. Poderia soar meio infantil e esquisito para os outros, mas Vitor mesmo sabia que ele não era normal em algumas coisas. Queria decifrar esse engima, mas não chegava à conclusão alguma. E então, ele deixou a mente dele vagar tranquilamente. A primeira coisa que viu, foram os olhos verdes de Jesse em sua mente, olhando-o fixamente, sob aquela franja escura, em contraste com aquela pele tão clara.
Despertando desses devaneios, ele deixou escapar em alto e bom tom:
-Baah, que coisa mais gay.
-O que é gay?- perguntou uma voz atrás dele.
Quando se virou, viu Jesse parado, olhando-o, com o material volumoso nos braços.
-O que faz aqui? -perguntou Vitor.
-Não estou no clima para entrar na aula de Biologia- respondeu Jesse, dando ombros.
-É melhor tomar cuidado,- disse Vitor- por que a professora Imelda não é boazinha não. Esses dias atrás, deu uma prova tão grande para a turma, que quase esfolou viva as nossas mãos.
-Isso me lembra uma pessoa, na verdade um personagem- disse Jesse.- Dolores Umbridge, de Harry Potter.
-Ah sei, aquela mistura estranha de Freddy Krueger com a Barbie né?
Jesse riu, e Vitor tambem deu um sorrisinho.
-O que faz aqui fora?- perguntou Jesse.
-Não estou no clima para entrar na aula de Matemática- respondeu Vitor.
-Posse me sentar aqui tambem?
-Bom, eu estou sem fazer nada, e quadra está vazia... se não se importar em ficar aqui à toa...
Jesse sentou-se ao lado de Vitor, olhando para a quadra vazia.
-Você não é muito diferente de mim- disse Jesse.
-Não estou muito certo disso- Vitor falou num tom misterioso.
-Como assim?
-Digamos que eu seje uma pessoa muito estranha... nota mil em esquisitice, numa escala de zero à dez.- Vitor riu, um riso desprovido de humor.
-Ser esquisito é bom- disse Jesse.- É ser original.
-Não numa cidade como esta.
Houve uma pausa. O silêncio só não era completo, pois o barulho de estudantes conversando e professores berrando era muito constante.
-Você não é de conversar muito, não é? -perguntou Jesse.
-Não- disse Vitor sorrindo.- E nem de sorrir muito tambem. Embora, eu tenha feito muito isso hoje. Mais do que o normal.
-E por quê?
-Não sei. Ainda não descobri.
-Mesmo assim- acrescentou Jesse, desviando o olhar de Vitor- você faz sucesso com as garotas.
-Por quê diz isso?
-Ouvi elas comentarem isso, hoje. Perto da minha mesa.
-O que elas disseram?
-Que você tem belos olhos. E um sorriso fatal. E pareciam bem animadinhas, quando disseram isso.
Vitor deu risada, antes de acrescentar:
-Isso é estranho.
-O quê? Elas te acharem bonito?
-Isso mesmo. Eu mesmo nem me acho. E, tenho quase certeza que elas nunca me viram sorrir.
Jesse corou e não conseguiu disfarçar seu embaraço.
-Mas- acrescentou Vitor- elas devem ter me pegado lendo algum livro de piadas, e eu não percebi.
-Piadas não faz seu tipo- disse Jesse, ainda vermelho.
-Não mesmo.
O sinal para a quinta aula soou, e eles se levantaram e se separaram.

Nenhum comentário:

Postar um comentário