Na quarta aula, Vitor deveria estudar Matemática. Mas sentiu-se indisposto. E ainda estava encabulado com o arrepio estranho que sentiu ao tocar Jesse. Que sensação era essa? E por quê sentiu isso? Apesar de seu gênio forte, Vitor era uma pessoa totalmente racional, e estava disposto a pensar naquilo com calma.
O sinal indicando o final do intervalo tocou, mas Vitor se retirou para a quadra de esportes da escola, que estava vazia. Queria aproveitar os cinquenta minutos de tempo para tentar pensar nessa sensação curiosa, que nunca havia sentido na vida. Poderia soar meio infantil e esquisito para os outros, mas Vitor mesmo sabia que ele não era normal em algumas coisas. Queria decifrar esse engima, mas não chegava à conclusão alguma. E então, ele deixou a mente dele vagar tranquilamente. A primeira coisa que viu, foram os olhos verdes de Jesse em sua mente, olhando-o fixamente, sob aquela franja escura, em contraste com aquela pele tão clara.
Despertando desses devaneios, ele deixou escapar em alto e bom tom:
-Baah, que coisa mais gay.
-O que é gay?- perguntou uma voz atrás dele.
Quando se virou, viu Jesse parado, olhando-o, com o material volumoso nos braços.
-O que faz aqui? -perguntou Vitor.
-Não estou no clima para entrar na aula de Biologia- respondeu Jesse, dando ombros.
-É melhor tomar cuidado,- disse Vitor- por que a professora Imelda não é boazinha não. Esses dias atrás, deu uma prova tão grande para a turma, que quase esfolou viva as nossas mãos.
-Isso me lembra uma pessoa, na verdade um personagem- disse Jesse.- Dolores Umbridge, de Harry Potter.
-Ah sei, aquela mistura estranha de Freddy Krueger com a Barbie né?
Jesse riu, e Vitor tambem deu um sorrisinho.
-O que faz aqui fora?- perguntou Jesse.
-Não estou no clima para entrar na aula de Matemática- respondeu Vitor.
-Posse me sentar aqui tambem?
-Bom, eu estou sem fazer nada, e quadra está vazia... se não se importar em ficar aqui à toa...
Jesse sentou-se ao lado de Vitor, olhando para a quadra vazia.
-Você não é muito diferente de mim- disse Jesse.
-Não estou muito certo disso- Vitor falou num tom misterioso.
-Como assim?
-Digamos que eu seje uma pessoa muito estranha... nota mil em esquisitice, numa escala de zero à dez.- Vitor riu, um riso desprovido de humor.
-Ser esquisito é bom- disse Jesse.- É ser original.
-Não numa cidade como esta.
Houve uma pausa. O silêncio só não era completo, pois o barulho de estudantes conversando e professores berrando era muito constante.
-Você não é de conversar muito, não é? -perguntou Jesse.
-Não- disse Vitor sorrindo.- E nem de sorrir muito tambem. Embora, eu tenha feito muito isso hoje. Mais do que o normal.
-E por quê?
-Não sei. Ainda não descobri.
-Mesmo assim- acrescentou Jesse, desviando o olhar de Vitor- você faz sucesso com as garotas.
-Por quê diz isso?
-Ouvi elas comentarem isso, hoje. Perto da minha mesa.
-O que elas disseram?
-Que você tem belos olhos. E um sorriso fatal. E pareciam bem animadinhas, quando disseram isso.
Vitor deu risada, antes de acrescentar:
-Isso é estranho.
-O quê? Elas te acharem bonito?
-Isso mesmo. Eu mesmo nem me acho. E, tenho quase certeza que elas nunca me viram sorrir.
Jesse corou e não conseguiu disfarçar seu embaraço.
-Mas- acrescentou Vitor- elas devem ter me pegado lendo algum livro de piadas, e eu não percebi.
-Piadas não faz seu tipo- disse Jesse, ainda vermelho.
-Não mesmo.
O sinal para a quinta aula soou, e eles se levantaram e se separaram.
12/06/2011
Capítulo 2: O livro
Vitor, geralmente, esperava todos saírem da sala, para descer para o pátio da escola, à caminho dos gramados onde gostava de passar o intervalo, geralmente lendo Quadrinhos ou outro livro qualquer. Dessa vez, porem, não ficou sozinho na sala.
Jesse não tinha terminado de arrumar suas coisas, e parecia atrapalhado, na pressa em arrumar todo o material.
Vitor se levantou para sair, e ao passar pela porta, deixou cair um livro de capa preta. Quando estava descendo o primeiro lance de escadas, sentiu um toque frio nos ombros. Virando-se para trás, ele se deparou com Jesse segurando o livro.
-Deixou cair isso quando saiu da sala- disse ele.
Na capa do livro, em letras azul-escuras, estava escrito "Guia Prático da Recuperação em Doze Passos". Vitor pegou o livro com tanta pressa e força, que arrancou um anel que Jesse estava usando. Ele não queria que ninguem tivesse conhecimento que estava se recuperando de alguma coisa, não queria que o aluno novo lesse o título do livro. Uma idéia tola, a essa altura do campeonato. Quando percebeu que o anel veio junto, Vitor sentiu-se envergonhado, e corou.
-Obrigado- disse ele, numa voz cava e grave.- Me desculpe por isso, tome seu anel.
-Sem problemas- respondeu Jesse.- A julgar pela sua força, acho que devo ficar agradecido por ter arrancado o anel, e não meu dedo.
Vitor sorriu, e Jesse tambem.
-É excesso de força- disse Vitor.- É o que acontece quando não se briga com muita frequência. Fica com a força guardada sem serventia.
-Eu entendo.
Ficaram se encarando por um certo tempo. Isso era muito estranho. Qualquer um que se deparasse com aquela cena, acharia estranha. Vitor, o esquisitão, conversando com o aluno novo? Como assim?
-Você tem planos para se sentar com alguem, no intervalo? -perguntou Vitor.
-Ah, não- disse o outro.- Cheguei hoje, eh? Provavelmente terei de ver se me encaixo numa dessas, como é mesmo que dizem? "Mini-tribos"?
Vitor sorriu de novo.
-Te recomendo ficar longe das moças de rosa- disse ele, apontando com a cabeça para um grupinho de jovens que riam no final da escada.- Elas só sabem falar de cremes, rapazes, festas, rapazes, internet e mais rapazes.
-É exatamente o que eu estava pensando- disse Jesse com um ar de hilária preocupação, revirando os olhos.- Eu me pergunto, onde é que essas garotas de hoje em dia vão parar, se só esses artefatos que você mencionou na cabeça...
Vitor percebeu que ainda estava segurando o anel de Jesse.
-Ah, desculpe, seu anel...
E então, sem querer, as mãos de ambos se esbarraram. Vitor sentiu uma sensação curiosa, mediante ao toque. Um arrepio estranho prepassou seu corpo, e ficou formigando em seu peito. Jesse parecia não ter sentido nada, mas desviou os olhos de Vitor, quando esse encarou-o.
-Até mais então- falou Vitor.
-Até.
Jesse não tinha terminado de arrumar suas coisas, e parecia atrapalhado, na pressa em arrumar todo o material.
Vitor se levantou para sair, e ao passar pela porta, deixou cair um livro de capa preta. Quando estava descendo o primeiro lance de escadas, sentiu um toque frio nos ombros. Virando-se para trás, ele se deparou com Jesse segurando o livro.
-Deixou cair isso quando saiu da sala- disse ele.
Na capa do livro, em letras azul-escuras, estava escrito "Guia Prático da Recuperação em Doze Passos". Vitor pegou o livro com tanta pressa e força, que arrancou um anel que Jesse estava usando. Ele não queria que ninguem tivesse conhecimento que estava se recuperando de alguma coisa, não queria que o aluno novo lesse o título do livro. Uma idéia tola, a essa altura do campeonato. Quando percebeu que o anel veio junto, Vitor sentiu-se envergonhado, e corou.
-Obrigado- disse ele, numa voz cava e grave.- Me desculpe por isso, tome seu anel.
-Sem problemas- respondeu Jesse.- A julgar pela sua força, acho que devo ficar agradecido por ter arrancado o anel, e não meu dedo.
Vitor sorriu, e Jesse tambem.
-É excesso de força- disse Vitor.- É o que acontece quando não se briga com muita frequência. Fica com a força guardada sem serventia.
-Eu entendo.
Ficaram se encarando por um certo tempo. Isso era muito estranho. Qualquer um que se deparasse com aquela cena, acharia estranha. Vitor, o esquisitão, conversando com o aluno novo? Como assim?
-Você tem planos para se sentar com alguem, no intervalo? -perguntou Vitor.
-Ah, não- disse o outro.- Cheguei hoje, eh? Provavelmente terei de ver se me encaixo numa dessas, como é mesmo que dizem? "Mini-tribos"?
Vitor sorriu de novo.
-Te recomendo ficar longe das moças de rosa- disse ele, apontando com a cabeça para um grupinho de jovens que riam no final da escada.- Elas só sabem falar de cremes, rapazes, festas, rapazes, internet e mais rapazes.
-É exatamente o que eu estava pensando- disse Jesse com um ar de hilária preocupação, revirando os olhos.- Eu me pergunto, onde é que essas garotas de hoje em dia vão parar, se só esses artefatos que você mencionou na cabeça...
Vitor percebeu que ainda estava segurando o anel de Jesse.
-Ah, desculpe, seu anel...
E então, sem querer, as mãos de ambos se esbarraram. Vitor sentiu uma sensação curiosa, mediante ao toque. Um arrepio estranho prepassou seu corpo, e ficou formigando em seu peito. Jesse parecia não ter sentido nada, mas desviou os olhos de Vitor, quando esse encarou-o.
-Até mais então- falou Vitor.
-Até.
Capítulo 1: Conhecimento
Vitor morava no final da rua, a ultima casa.
Era filho de um escritor famoso, e sua mãe trabalhava numa empresa de revista local.
Ele tinha dezenove anos e era filho único.
Era um dia nublado, quando Vitor saiu de casa à caminho da escola. Fez seu percurso normal, e chegou ao prédio da escola, grande e sombrio. Vitor se destacava dos demais alunos por ser um rapaz muito misterioso. De pele clara, corte de cabelo em escovinha no estilo militar e olhos verdes, ele sempre era seguido por olhares curioso, corredores à dentro. Não tinha nenhum amigo, não tinha namorada, e não era visto em festas, que geralmente, ocorriam na escola e na vizinhança. As garotas se sentiam atraídas por ele, mas o mistério que cercava Vitor mantinha-as afastadas dele.
A sineta para a primeira aula do dia soou pela escola, e Vitor encaminhou-se para sua sala. Era o mês de maio, penúltimo mês de aula para os estudantes da Inglaterra, e aparentemente não havia novidade alguma. Até que um aluno novo entrou na sala. Ele parecia estar meio perdido, e todo instante consultava os nomes dos professores e suas matérias, coladas nas portas das salas. Era magro, pálido, com um intenso par de olhos-verdes esmeraldas, cabelos negros até o pescoço.
Vitor sentou-se e ficou observando o garoto verificar mais uma vez se era a sala correta. Então, o professor entrou sorrateiramente pela sala, e anunciou:
-Bom dia à todos! Antes de começarmos nossa aula, gostaria de apresentar seu novo companheiro de classe, o Sr. Jesse McAurtney. Entre, Jesse, não seje acanhado...
O garoto entrou meio que cambaleando, e disse numa voz tímida:
-Bom dia à todos!
-Bom dia- respondeu a classe, exceto Vitor. A voz do rapaz havia lhe causado uma sensação, aparentemente incômoda.
-Seje bem-vindo, Jesse- disse o professor. -Sente-se, por favor.
O garoto entrou, procurando um lugar vazio na sala, e encontrou à duas fileiras de Vitor.
As três primeiras aulas passaram incrivelmente rápidas.
Vitor era um bom aluno, inteligente e bastante observardor, porem só fazia as atividades quando sentia vontade. E naquela manhã, ele não sentia o mínimo desejo de fazer lição alguma. Sentiu-se inquieto. Sentiu-se estranho. Com o que, exatamente, ele não sabia.
No final da terceira aula, ao se virar um pouco para o lado, Vitor relanceou, pela visão periférica, que o aluno novo, Jesse, ou seja lá que nome tivesse, estava olhando para ele com um olhar intrigado. Quando os olhos de ambos se encontraram, Jesse ficou vermelho e fingiu estar interessado na explicação monótona do professor sobre catetos e hipotenusa.Vitor sentiu-se ainda mais incomodado com isso.
O sinal para o intervalo soou.
Era filho de um escritor famoso, e sua mãe trabalhava numa empresa de revista local.
Ele tinha dezenove anos e era filho único.
Era um dia nublado, quando Vitor saiu de casa à caminho da escola. Fez seu percurso normal, e chegou ao prédio da escola, grande e sombrio. Vitor se destacava dos demais alunos por ser um rapaz muito misterioso. De pele clara, corte de cabelo em escovinha no estilo militar e olhos verdes, ele sempre era seguido por olhares curioso, corredores à dentro. Não tinha nenhum amigo, não tinha namorada, e não era visto em festas, que geralmente, ocorriam na escola e na vizinhança. As garotas se sentiam atraídas por ele, mas o mistério que cercava Vitor mantinha-as afastadas dele.
A sineta para a primeira aula do dia soou pela escola, e Vitor encaminhou-se para sua sala. Era o mês de maio, penúltimo mês de aula para os estudantes da Inglaterra, e aparentemente não havia novidade alguma. Até que um aluno novo entrou na sala. Ele parecia estar meio perdido, e todo instante consultava os nomes dos professores e suas matérias, coladas nas portas das salas. Era magro, pálido, com um intenso par de olhos-verdes esmeraldas, cabelos negros até o pescoço.
Vitor sentou-se e ficou observando o garoto verificar mais uma vez se era a sala correta. Então, o professor entrou sorrateiramente pela sala, e anunciou:
-Bom dia à todos! Antes de começarmos nossa aula, gostaria de apresentar seu novo companheiro de classe, o Sr. Jesse McAurtney. Entre, Jesse, não seje acanhado...
O garoto entrou meio que cambaleando, e disse numa voz tímida:
-Bom dia à todos!
-Bom dia- respondeu a classe, exceto Vitor. A voz do rapaz havia lhe causado uma sensação, aparentemente incômoda.
-Seje bem-vindo, Jesse- disse o professor. -Sente-se, por favor.
O garoto entrou, procurando um lugar vazio na sala, e encontrou à duas fileiras de Vitor.
As três primeiras aulas passaram incrivelmente rápidas.
Vitor era um bom aluno, inteligente e bastante observardor, porem só fazia as atividades quando sentia vontade. E naquela manhã, ele não sentia o mínimo desejo de fazer lição alguma. Sentiu-se inquieto. Sentiu-se estranho. Com o que, exatamente, ele não sabia.
No final da terceira aula, ao se virar um pouco para o lado, Vitor relanceou, pela visão periférica, que o aluno novo, Jesse, ou seja lá que nome tivesse, estava olhando para ele com um olhar intrigado. Quando os olhos de ambos se encontraram, Jesse ficou vermelho e fingiu estar interessado na explicação monótona do professor sobre catetos e hipotenusa.Vitor sentiu-se ainda mais incomodado com isso.
O sinal para o intervalo soou.
Uma Breve Sinpose
"Guerra Interior" é uma história voltada p/ o publico GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes) cuja função é trazer o entretenimento ao leitor.
Drama, Romance e Ficção pode resumir o gênero da história.
Primeiros capitulos vão ao ar em breve!
Drama, Romance e Ficção pode resumir o gênero da história.
Primeiros capitulos vão ao ar em breve!
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